Maybe this is possible. No rules, no hurts, no problems, no people, no goodbyes. Just me and my world.
quarta-feira, maio 04, 2011
Nada dá certo, pessoas morrem; eu respiro, mas me sinto como se estivesse morrendo. Talvez eu estivesse certa em deixar os anos passarem como as folhas que o outono desperdiça ao chão, pois aprendi como elas são importantes para que a folhagem se renove. Se for me perguntar sobre o meu estado, sou uma menina com sentimentos desprezados, feito uma brisa de outono no inverno. Eu respiro, enquanto pessoas morrem do outro lado da rua. Queria que o meu oxigênio chegasse até elas. Talvez os corações voltassem a pulsar, e não haveriam lágrimas. Mas não sei como chegar até o meu interior e achar uma forma de fazer isso parar, porque ele está escuro e eu não consigo iluminá-lo. As sombras do futuro já me sufocam, mas não se trata apenas de lágrimas. O universo está se manifestando. É preciso lutar, e não correr. O sangue inocente só está se derramando num copo festivo da maldade. "Quem é que vai nos salvar? Todos vamos morrer?", ouço-os gritando pelas ruas, e nesse momento eu queria doar meu coração para aqueles que já partiram, eles estão em algum lugar sentindo toda a nossa dor, e eles não merecem mais. Queria que eles tivessem uma segunda chance de estar aqui conosco, nos acolhendo toda vez que chorássemos, queria trazer os velhos tempos de volta, mas fico pensando se isso é saudade ou é apenas medo de crescer. Se um dia eu pertencesse ao céu, queria estar olhando para todas aquelas pessoas que sofrem com as dores de uma perda, ou até mesmo de uma ferida. Eu doaria à elas toda a felicidade que eu deixei passar diante dos meus olhos, sem ter força de agarrá-la ao menos uma vez, para que elas estivessem bem por uma segunda vez. E talvez eu doasse todas as estrelas para que os olhos delas voltassem a brilhar, como crianças construindo o futuro. Mas não é possível tocar o céu, quando as nuvens cobertas de dor sobrecaem seus degraus, e fica ainda mais difícil terminar o que se começou. Ninguém sobrevive ao caos, porque é inevitável falecer quando não existe ar. A vida continua sendo uma luta, e eu só estou começando a lutar. Carol Gray
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