quinta-feira, julho 14, 2011

Quanto tempo faz que eu amadureci? Eu não lembro de ter uma infância. Que diabos é aquilo sobre a mesa? Eu pensava que já tinha parado de sonhar.  Cresci numa pequena cidade, onde era preciso sempre se esforçar para se dar bem,  e na maioria das vezes eu via pessoas brigando por uma simples mentira.  Não sei o que houve com as brigas familiares, elas pararam por uns tempos. Acho que todos já estão cansados de agir feito crianças. Ando pelas ruas como se estivesse sob um muro,  meus pés vão fraquejando feito crianças no escuro. Do outro lado está o meu orgulho, eu nunca permiti que ele atravessasse a rua.  Cresci vendo amigos se drogando achando que estavam se divertindo,  agora eu os vejo lamentando o tempo que perderam.  Cresci no silêncio das paredes,  tentando imaginar como seria o mundo quando eu estivesse pronta para vê-lo. Cresci vendo tragédias, pecados,   e isso nunca me afetou. O meu orgulho estava sempre do outro lado da rua, esperando-me passar para me ver quebrá-lo em segundos.  Eu sempre soube que jamais pertenceria à este lugar, só precisava de uma chance para mostrar isso. Cresci vendo bêbados e fumantes a dois passos de mim,  vendo coisas que nenhum homem que não tenha visto consiga decifrar.  E o que isso influenciou em mim?  Não há nada de errado com suas regras,  apenas pare de ditá-las para mim. Você vive dizendo que sou infantil o bastante para tratar isso com ingenuidade, mas quem é que está de pé mesmo que o último muro seja derrubado?  Você disse que um dia me arrependeria de sair da minha infância,  mas não consigo diferenciar muito bem  o que ela é agora. Eu acho que ficou para trás, então não me venha dizer que sentirei saudades, pois você sabe que a maioria das coisas que eu deixo para trás é porque não tenho vontade de recordar.   Não há motivo, mas você sempre chega ditando suas regras, e fingindo que esse mundo é somente seu.  Sua casa, seus momentos, sua vida. Mas ainda há outro coração batendo ao lado do seu,  e não importa o que você diga, nada vai me tirar daqui. Eu cresci nesta pequena cidade,  vendo a chuva inundar as ruas e tornar as calçadas um método de fuga. Eu vivi muitos outonos sob uma árvore, vendo-a renovando cada folha que o tempo envelheceu. Eu nunca fui diferente, e o outono sempre me fazia ver isso. Você me pede para parar com essa mania de usar as palavras como se fossem meu mundo,  me pede pra amadurecer,   me chama atenção. Eu nunca,  nunca estaria nelas se todos os fins de tarde você estivesse comigo, e me mostrasse que dentro de você eu não sou apenas um monte de regras. Eu sou alguém, muito especial para você. Então cresça, não deixe que os seus erros te enfraqueçam. Um dia, eles ainda farão você voltar, e ver que eu sinto sua falta. 

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