Passaram algumas horas e ele acordara
ofegante. A ideia de sonhar com Diana não tinha lhe feito bem. Levantou-se da
cama, às 4h50, e bebeu um drinque. Passou a mão no rosto, e estava acordado.
Alguns passos ecoavam em seus ouvidos, Andrew havia se levantado.
- Papai?!
De repente, Nether parou. Parou de pensar, de
ver, de ouvir, talvez até tenha se esquecido de respirar. Aquela voz pronunciando aquela palavra o
tinha feito congelar.
- Papai, você está bem?
E mais uma vez. E foi se repetindo na cabeça
de Nether, que estampava um sorriso não visto há anos.
- Dá um abraço no papai. - Nether disse,
estendendo os braços para seu filho, que, em seguida, abraçou-o com ternura. -
Papai está bem. Só veio pegar um copo d'água, e já vai dormir. E você também tem que ir, está muito cedo
para você estar acordado.
- Eu ouvi um barulho, e quis saber se você
estava bem. - disse o menino, justificando-se para o pai.
- Tudo bem. Obrigado. Agora volte para a cama,
está bem?
Deu-lhe um beijo na testa, e ficou observando
cada passinho que aqueles pés tão pequeninos davam. Nether, por mais frio,
individualista e rude que fosse, se sentia feliz por ter Andrew. Depois da
morte de Diana as coisas tinham se tornado difíceis.
Recuperou a garrafa de uísque, que escondera
do pequeno. Bebeu mais algumas doses, e voltou para o quarto. Apagou feito um
céu anoitecido.
Já batiam às 8h, e Nether se levantara. Fora
ao quarto do pequeno Andrew, que dormia angelicalmente em sua cama. Fora para a
cozinha, onde encontrara Grenna.
- Bom dia, Grenna! -
- Bom dia, Drug! - ela respondera, com um
sorriso dócil.
- E aí, cadê o meu bacon, minhas panquecas,
meu café?
- Mas gordura uma hora dessas? Nem pensar! O
senhor tem que se manter saudável, até para dar exemplo ao seu filho.
- Andrew? Ele está dormindo como um anjo. Não
vai acordar agora, tenho certeza. Que tal você fazer o que pedi, e assim eu
fico feliz?
Ela se sentiu um pouco sem graça com a
resposta, e logo aprontou o café. Nether devorou tudo em segundos, e em seguida
fez a higiene e pôs o uniforme. Eram 8h40 quando ele saiu.
Sentia ainda o úmido e o amargo do café por
sua garganta, lembrou-se que não havia escovado os dentes. Enquanto prestava
atenção no trânsito, seu celular tocara.
-
Cadê você, cara? Estamos lhe esperando há 10 minutos.
-
Relaxa, Fuller. Estou a caminho.
Fuller às vezes era ingênuo. Ora, se sabia
que Nether nunca deixara de avisar uma falta, por que insistir tanto? Se Nether
demorara, por que não começaram o serviço antes?
Ele acelerou seu Dodge, usando a desculpa de
estar atrasado. Mas já estava com vontade de fazer isso, antes de notar que se
havia atrasado.
Enfrentou mais uns cinco minutos de
trânsito, e lançou seu carro no estacionamento do Departamento. Saiu de óculos
escuros, mascando chicle, e acionou o alarme, fechando, assim, as portas e
janelas.
O Major lhe esperava na porta, com um ar de
quem lhe daria uma advertência. Não seria para menos, em vista que suas ações
haviam prejudicado um tanto o chefe.
- Sabe, Drug, gosto tanto de você que lhe
considero como meu filho. Talvez você fosse considerado um braço direito, mas
acho que agiu como criança, e como punição, devo lhe tirar das ações. – dizia o
Major, já esperançoso em relação ao comportamento depressivo do rapaz.
- O que foi? Urinei nas suas calças? – ironizou
Nether, enquanto ingeria alguns goles de água.
- Roberto Marino. Lembra-se dele?
- O caminhoneiro que matou a estudante com três
tiros e depois usou os filhos como escudo?
- Exato. Ele foi prestar depoimento ontem. O
marmanjo arrumou uma briga na cadeia e conseguiu uns ferimentos na barriga.
Usou isso como arma contra você, contra todo o Departamento. Ele alegou que foi
você que o feriu, e algumas testemunhas advertiram que você o acertou com algumas
joelhadas neste local. O que você estava pensando, Drug? Você pensou que um
cara que usa os próprios filhos como escudo não usaria qualquer coisa contra
você, mesmo que fosse um simples arranhado? Drug, eu não sei exatamente o que
anda acontecendo com você e o Fuller. Ultimamente você tem agredido mais do que
o normal, e Fuller anda sempre assustado. Honro-te pelos seus atos, mas veja
bem a nossa situação, rapaz. O que vamos dizer agora? Você realmente o golpeou.
- O que foi dessa vez? Ele atirou em alguma
outra garotinha com quem você gostaria de dormir? Parece que sim. Ou então você esqueceu sobre
quem sou eu. Eu posso garantir essas manchas roxas da joelhada, eu o imprensei
na parede, isso todos viram.
- E daí? O que isso prova?
- Pense, Major. Pense grande. Se eu estava o
imprensando na parede, como poderia portar um instrumento de corte nas mãos? Eu
estava segurando os braços dele.
- É, rapaz. É por isso que você é meu filhote!
Nenhum comentário:
Postar um comentário